terça-feira, 26 de abril de 2016

Rastros em mim...

Olho mas não sei o que vejo,
não consigo ser feiticeira de mim mesma nem de meu próprio destino.
Não sei qual o próximo passo, rastro a seguir.
Antes a paixão era um guia, hoje sentimentos difusos contornam o que sou,
o riso não tem tanta graça, o calor do corpo não contagia.
Morri? Indago-me. Morta talvez dentro das muitas vidas por viver.
Quantos castelos construídos dentro de mim que agora desmoronam...
Sonhos, desejos vistos num rosto que simplesmente não é o mesmo que antes parecia para mim sorrir.
Tudo talvez escorra pelos dedos e eu fique de mãos vazias. Loucuras.... às vezes sonho com um imenso movimento da vida, como uma revoada de pássaros onde todos num momento voltaríamos para o lado de quem precisamos encontrar. Armadilhas de mim?
Acho que nasci louca, louca de nascença como dizem, sonhando que com a ponta dos dedos posso fazer girar os relógios, suspender o tempo e abrigar-me.
Abraço em palavras o que desconheço. Descubro-me em mim a ponto de quase enlouquecer e voltar. Que rastros são esses que se inscrevem em mim...? porque não consigo ler?
Que as melodias da vida suavizem esta noite para que no sono eu durma e esqueça, adormeça...

sábado, 26 de março de 2016

Pássaros Urbanos


" Em termos, gostava que morasse aqui, ou perto, era uma ajuda. Aqui não se tem convívio que instruir. Sertão. Sabe o senhor: sertão é onde o pensamento da gente se forma mais forte do que o poder do lugar. Viver é muito perigoso...." (João Guimarães Rosa, Grande Sertão Veredas, 2006, p.25.) 

quinta-feira, 24 de março de 2016

A Woman Left Lonely


Entre palavras, ouço seus passos, rastros, versos...
as pétalas pisadas dos muitos caminhos cruzados,
das muitas vidas por viver.
Rostos que não se encontram,
mas lembranças que se tocam numa noite sem horas,
numa cidade de muitas temperaturas, velocidade dos ventos.
Ruas onde ninguém se vê,
Viagens sem destino,
Rotas que não convergem.
Apenas um homem só,
uma mulher solitária.
Apenas palavras que sopram no rosto como vento frio da noite de uma quase primavera.
Ou Outono em mim?
Seria possível fazer um mundo apenas com palavras?
reunir as pétalas do chão e delas ainda sentir o perfume ?
Nada a esperar, diante dos olhos apenas as parcas cores que sobrevivem e as que secam ao chão. Passos incertos que não seguem para lugar nenhum dentro de mim, apenas os saltos de sensações espantam o sono. Um sonho? um instante no qual esquecendo dos limites do corpo e da alma o desejo viaja, entrega-se e se esvai num território desconhecido, nunca antes visitado. Apenas mãos que se tocam entre teclas e olhos refletidos numa paisagem fugidia na tela. Frases escorregadias, feitas e desfeitas, caladas nos intervalos do tempo e que talvez nada queiram dizer.

sábado, 27 de fevereiro de 2016

Adeus Ana

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Que Sono.
Não Sonhos.
Rostos que não reconheço,
Nem sei se um dia conheci.
Palavras que nada me dizem. 
Semelhantes tanto que me nauseiam.
Repetidos rostos, gostos, gestos. 
Vozes sem eco.
Criança antes de olho brilhante e inspirador 
Hoje aceno distante do que um dia foi em mim.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Vive Ya




Já não cabemos na mesma existência,
meu corpo procura reencontrar as raízes do que o sustenta...a escrita de sensações que o põem de pé...
de tantos lugares vêm as paisagens que o tocam...que o fazem suspirar...
não é somente um rosto que me emociona, mas alguma coisa indescritível que aparece numa palavra, num sorriso e logo some, ... das flores que vi não guardo uma única lembrança, mas os múltiplos cheiros, as variadas cores estão impressas em mim.
de um momento vivido não guardo somente uma emoção, mas várias...as mais pequenas, imperceptíveis.
amo e nem sei o que amo,  a sensação vista  no rastro de uma palavra não dita, o toque que não se concretizou...amo o olhar que não aconteceu e que sobrevive apenas da fotografia digitalizada, vista por muitos olhos e que não tiveram a minha companhia?
amo a sensação do toque perdido nos anos, na distração de uma noite onde acompanhados pela música atravessamos a vida juntos, o sono compartilhado nas marcas do tempo, grafados no corpo que se espreguiça tentado recuperar o momento.
Instante de liberdade, ir e vir eram a mesma coisa,  a porta do corpo parecia sempre aberta ao tempo, ao reencontro.
Malade d´amour... procurando no sono os sonhos...debruçada sobre o que os poetas dizem, sobre o que li e escrevo...e sobre o que nada sei ...apenas adormeço e espero acordar dentro da sensação do encontro de mãos suadas encostadas uma na outra sem precisar pertencer.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Sous le vent...



"Os deuses não sabem apanhar o momento esvoaçante como quem aprisiona um besouro na mão, não sabem o contacto delicioso, inquietante do que- só uma vez! - os dedos reterão... " (Quintana, Baú de Espantos, 2006, p.125).

Apenas pensamentos é que tenho para te dar, embalado em sonhos, signos que não sei decifrar. Distraídos de nós mesmos nem sequer sabemos ler as grafias que a vida escreve, enquanto isso from the other side desconhecemos fronteiras do que se preserva esquecido, tocado. Pouco sabemos de nós mesmos e dos caminhos que trilhamos. Rostos que se desenham em contornos de espantos. Sensações de corpos que se conhecem, mãos que já se encontraram, tudo tecido em sonhos, estendidos numa colcha de retalhos que nos aquece nos invernos da alma. 

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Fenêtre

Não saberia dizer se a janela está aberta ou fechada, assim como não sei como estão os espaços da alma...
os galhos tocam nas paredes talvez sussurrando uma voz distante e a suavidade do toque desejado, desenhando lembranças ainda veladas. As flores se aninham nas frestas esperando que as mãos de dentro acordem e abram a janela ou a alma; que aos poucos se derrube o concreto que a impede de se abrir para que o horizonte seja contemplado..."Viver é abrir uma janela ... E pássaros  pássaros sairão dela...( Quintana, Baú de Espantos, 2006,  p.16).