sábado, 27 de fevereiro de 2016

Adeus Ana

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Que Sono.
Não Sonhos.
Rostos que não reconheço,
Nem sei se um dia conheci.
Palavras que nada me dizem. 
Semelhantes tanto que me nauseiam.
Repetidos rostos, gostos, gestos. 
Vozes sem eco.
Criança antes de olho brilhante e inspirador 
Hoje aceno distante do que um dia foi em mim.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Vive Ya




Já não cabemos na mesma existência,
meu corpo procura reencontrar as raízes do que o sustenta...a escrita de sensações que o põem de pé...
de tantos lugares vêm as paisagens que o tocam...que o fazem suspirar...
não é somente um rosto que me emociona, mas alguma coisa indescritível que aparece numa palavra, num sorriso e logo some, ... das flores que vi não guardo uma única lembrança, mas os múltiplos cheiros, as variadas cores estão impressas em mim.
de um momento vivido não guardo somente uma emoção, mas várias...as mais pequenas, imperceptíveis.
amo e nem sei o que amo,  a sensação vista  no rastro de uma palavra não dita, o toque que não se concretizou...amo o olhar que não aconteceu e que sobrevive apenas da fotografia digitalizada, vista por muitos olhos e que não tiveram a minha companhia?
amo a sensação do toque perdido nos anos, na distração de uma noite onde acompanhados pela música atravessamos a vida juntos, o sono compartilhado nas marcas do tempo, grafados no corpo que se espreguiça tentado recuperar o momento.
Instante de liberdade, ir e vir eram a mesma coisa,  a porta do corpo parecia sempre aberta ao tempo, ao reencontro.
Malade d´amour... procurando no sono os sonhos...debruçada sobre o que os poetas dizem, sobre o que li e escrevo...e sobre o que nada sei ...apenas adormeço e espero acordar dentro da sensação do encontro de mãos suadas encostadas uma na outra sem precisar pertencer.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Sous le vent...



"Os deuses não sabem apanhar o momento esvoaçante como quem aprisiona um besouro na mão, não sabem o contacto delicioso, inquietante do que- só uma vez! - os dedos reterão... " (Quintana, Baú de Espantos, 2006, p.125).

Apenas pensamentos é que tenho para te dar, embalado em sonhos, signos que não sei decifrar. Distraídos de nós mesmos nem sequer sabemos ler as grafias que a vida escreve, enquanto isso from the other side desconhecemos fronteiras do que se preserva esquecido, tocado. Pouco sabemos de nós mesmos e dos caminhos que trilhamos. Rostos que se desenham em contornos de espantos. Sensações de corpos que se conhecem, mãos que já se encontraram, tudo tecido em sonhos, estendidos numa colcha de retalhos que nos aquece nos invernos da alma. 

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Fenêtre

Não saberia dizer se a janela está aberta ou fechada, assim como não sei como estão os espaços da alma...
os galhos tocam nas paredes talvez sussurrando uma voz distante e a suavidade do toque desejado, desenhando lembranças ainda veladas. As flores se aninham nas frestas esperando que as mãos de dentro acordem e abram a janela ou a alma; que aos poucos se derrube o concreto que a impede de se abrir para que o horizonte seja contemplado..."Viver é abrir uma janela ... E pássaros  pássaros sairão dela...( Quintana, Baú de Espantos, 2006,  p.16).

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Babel...

Quantas palavras ditas, mal ditas...e por dizer...
Quantos passos, firmes, fragéis, incertos...
Vivemos no tropeço das palavras e na tempestade dos sentimentos...
Olhamos os rostos e vemos um vendaval de possibilidades ...
Trocas carinhosas, toques amáveis e gestos agressivos, como se tudo fizesse parte de um mesmo túnel inesgotável de vida...
enquanto isso os passos se dão e o tempo vai recompondo os trajetos e a existência, tudo vai procurando forma...às vezes segue disforme...
Babel é o que somos, tudo "miúdo, recruzado", como já disse Guimarães Rosa... a vida se compondo como passagens e ao deitar fica apenas a ardência do desejo, as marcas dos sonhos....e o anseio por seguir vivendo apesar de tudo!

sábado, 27 de agosto de 2011

Regarde...

A cidade se compõe aos poucos,

Assim, sossegada,

Aos ventos,

Olhos passantes e ela se desvela

Dias... ensolarada,

Em maior parte nebulosa...

Tentam atravessá-las de passos, mas ela hesita, escapa,

Suas ruas, não são abrigos aos seus devaneios...

Os passos continuam, parar não é possível...

Acomoda o amontoado de luzes, ruídos...

Memórias, pensamentos, mundos inteiros de palavras.

Quando já não se podem dar passos ficam-se apenas os rastros deixados ou esquecidos, nas cidades, em suas formas, rostos não encontrados, passos seguidos...

Escritas de vivências, cartografias entre lembranças e esquecimentos...

sexta-feira, 13 de maio de 2011

As Horas...



Enquanto corremos o tempo passa, as águas correm....

são tantas narrativas, são tantas horas de pessoas, tudo miúdo, recruzado, diria Riobaldo... imagens alegres, dias que nos fazem chorar, mas os passos precisam seguir por estradas que se espalham muito mais do que os passos, muito mais que o olhar.

A roda do tempo gira e é preciso escolher, transitar por lugares que nem sempre são os que se desejava andar. Lamas nos pés, lágrimas nos olhos, quando queríamos apenas vagar, sem tantas vozes, sem tantos ruídos... mas ouvindo as suavidades dos ventos e a quietude da alma....

Tem horas que carece na gente não ser nada, sair das lógicas lapidadas e criar percursos que nada legitimem, mas suavizem a vida, sem tanta pressa...ouvindo os traços do tempo e os passos das horas....