domingo, 18 de fevereiro de 2018

Printemps

A primavera foi ontem,
Mas o tempo passou e dez anos se inscreveram em mim...
O eterno retorno e nele me inscrevo com força e poesia,
Meus passos tocam a cidade e ela me olha com suas paisagens,
Com seu rio,
E seus passantes...
Hoje é inverno,
Mas por dentro tudo arde,
Tudo é paixão,
Tudo é hoje e agora,
Já é primavera em mim...
Aqueço-me a noite, 
E colho o dia...


domingo, 11 de fevereiro de 2018

Chemins

As horas se encontram
As distâncias se aproximam
Não sou mais a mesma
Volto a ser tantas!
O amor de outras paragens é hoje o melhor
Aquece, afaga, não preenche
É voz, resposta, corpo e desejo...
O resto é como a neve...
palavras vazias que derretem...



terça-feira, 12 de setembro de 2017

Deixar Ir...

É preciso esperar, mas é preciso saber a hora de virar a página...
Se há amor, tem que ser servido fartamente, migalhas não satisfazem...
Viver é ato de coragem...

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Vozes, Moinhos e Ventos

Ao longe sabemos o que ainda não somos. Letra, imagem, entrelinhas e pele.
Debruço-me sobre as areias finas ... o corpo embala-se...em movimento  como as dunas... oscilando como as marés...
No horizonte paisageiam moinhos e escuto os gritos que são  teus nos ventos.
No alaranjado  dos céus desenham-se rostos das fotografias tantas vezes vistas.
Deixo-te no mar... imagem desfeita, não menos amada, para que sejas em mim finalmente  abraço...

domingo, 13 de agosto de 2017

Luz Antiga

"Se não  sabe
Se afaste
De mim.
Se ainda cabe
Me abrace
Enfim."
Ana Cañas.

domingo, 21 de maio de 2017

A Luz



“Perante nós
O futuro
Não espera
É agora”
Nos diz poeticamente Teresa Salgueiro, em A Luz. Mas pensas que tem todo o tempo do mundo. As palavras ditas, até mesmo o que não sabes tudo se derrama, mas de tudo foges, até de ti. Como imagens tudo arde, os ouvidos te doem porque não queres ouvir. Queimo, rasgo, deleto imagens, mas não é certo que transformando-as em cinzas deixarás de existir. Explodi em palavras, hoje leio no horizonte os silêncios. Enquanto anseias eu vivo. O agora me pede para ser inteira.  

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Cidade Turva



São Paulo 23 de Dezembro, 2016.
Estamos sempre em busca, numa longa viagem, talvez a procura de nós mesmos. Cidades, ruas, fusos...rostos, mãos, palavras, imagens como labirinto, diria Jorge Luís Borges, como se caminhássemos numa biblioteca de Babel a céu aberto. 
Num instante a chuva se derrama pelo vidro e muda a direção, nem sou mais a mesma e nem a cidade diante de meus olhos. Procuro um endereço, um nome, uma rua, um livro, a saúde, o amor, um rosto...? Perdendo-me, finalmente me encontro? Não chego porque não sei o destino da viagem, não parto totalmente porque não aprendi a ir. Vôos que nos trazem para dentro de nós mesmos, horas que aproximam cidades, sono que não vem. Sensações de paisagens turvas dentro de mim.