Nada sabemos do passado ou do futuro, mas dele entendo mais do que poderia. Ainda que de ti falte coragem sei que sabes e sentes o inexplicável que nos perpassa. Essa voz que ecoa e nos tira o sono e que diante dela nada nos sacia. Leveza, sonhos, paisagens, o tempo como um rio, mar? que nos atravessa por dentro e desagua-nos um no outro.
tardes quentes, pequenas distâncias, cada dia menores nesse fevereiro, que já não são mais tempos. O que nos distancia chama-se medo.
Báu de Espantos é o título de um livro do Mário Quintana, poeta que me encanta pela simplicidade com que mostra e fala da vida... "Em sua pobre eternidade, os deuses desconhecem o preço único do instante"...diz Quintana. Por isso que as imagens e palavras falem do presente e de como é possível olhar para ele e encantar-se...
sexta-feira, 10 de março de 2017
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017
Desencontro - Teresa Salgueiro
"Recolhes sem um lamento
com o sorriso que é teu
Os pedaços deste caos
Do que sou, de quem sou eu
E me cumpre desvendar
Para que a minha dor se apague
E o meu abraço se alongue
Só com leveza te afague
E mesmo que estejas longe
Eu seja a estrela que brilha
no fundo do teu olhar
Por mais que o mundo te pese
E o sonho tarde em chegar."
In: O Horizonte.
com o sorriso que é teu
Os pedaços deste caos
Do que sou, de quem sou eu
E me cumpre desvendar
Para que a minha dor se apague
E o meu abraço se alongue
Só com leveza te afague
E mesmo que estejas longe
Eu seja a estrela que brilha
no fundo do teu olhar
Por mais que o mundo te pese
E o sonho tarde em chegar."
In: O Horizonte.
Rastros das socialidades - conversações com a literatura de João Gilberto Noll e Luiz Ruffato
Rastros das socialidades - conversações com a literatura de João Gilberto Noll e Luiz Ruffato
Cristina Maria da Silva
Formato 14x21, 403 páginas
ISBN: 978-85-391-0476-5
Este livro é uma reflexão sobre os laços da socialidade atual através da literatura contemporânea brasileira, por meio de textos de João Gilberto Noll e de Luiz Ruffato. Cristina Silva parte da hipótese que nessas narrativas literárias podem ser encontrados rastros das transformações ou transfigurações sociais, bem como as marcas das socialidades estão presentes nas formas e configurações dessas narrativas. Sendo assim, busca compreender as relações que marcam a sociedade atual, a partir de textos literários e a partir do diálogo entre as ciências sociais e a literatura.
http://www.annablume.com.br/loja/product_info.php?products_id=1993&osCsid=ml92tlr4e08kfnkf1t6ugv9fo6Cristina Maria da Silva
Formato 14x21, 403 páginas
ISBN: 978-85-391-0476-5
Este livro é uma reflexão sobre os laços da socialidade atual através da literatura contemporânea brasileira, por meio de textos de João Gilberto Noll e de Luiz Ruffato. Cristina Silva parte da hipótese que nessas narrativas literárias podem ser encontrados rastros das transformações ou transfigurações sociais, bem como as marcas das socialidades estão presentes nas formas e configurações dessas narrativas. Sendo assim, busca compreender as relações que marcam a sociedade atual, a partir de textos literários e a partir do diálogo entre as ciências sociais e a literatura.
domingo, 29 de janeiro de 2017
Enquanto o mundo não nasce
O mundo não chegou a nascer. Ainda somos os mesmos ou mais leves do que fomos ontem?
As cinzas do que foi escrito me traz levezas, entre silêncios seguimos longe, ainda que dentro de mim algo me diga que perto estamos...mas nada sei do tempo e do amor, só me chegam notícias dos sonhos... 23 de setembro 2016
Imagem: calendar of yesterday's wishes-
Rafal Olbinski.
domingo, 15 de janeiro de 2017
A Confissão da Leoa
"Aqueles olhos, de tanta luz, escurecem o mundo. Mas é um escuro bom, um suave entorpecimento de infância. De tão claros os olhos (...) me devolviam qualquer coisa que, sem saber, eu já havia perdido. " Mia Couto. A Confissão da Leoa, 2012, p. 249.
A vida esperada, menos intensa do que a vivida, já não faz sentido. É possível fugir do olhar, do encontro, e talvez, até do destino, mas não de si, da nudez da alma, do corpo já entregue em palavras nas madrugadas frias e quentes de horas desconexas. O que foi escutado ressoa no tempo, vozes ditas como confissão, guardadas no ventre da noite-mulher que acalma, doce vinho que amacia a alma e adormece a dor.
"Dormir com alguém é a intimidade maior. (...) Dormir, isso que é íntimo. Um homem dorme nos braços de mulher e sua alma se transfere de vez. Nunca mais ele encontra suas interioridades." (Mia Couto, Um Rio Chamado Tempo, Uma Casa Chamada Terra, 2003, p. 46.
sábado, 14 de janeiro de 2017
Viagem
Para viajar basta existir, lembra Bernardo Soares, ajudante de guarda-livros na cidade de Lisboa. Mas é preciso a poeira da estrada nos sapatos, é preciso que olhar mergulhe nas paisagens e não seja mais o mesmo da partida. Nesta viagem fui minha maior companhia, reencontrei-me com a estrada e suas curvas, com suas sensações e eu mesma não era mais a mesma, como se minha sombra tocando os novos caminhos fosse me fazendo ganhar outras formas. Disforme de mim, feita pelas viagens, sendo tocada pelos caminhos e pelos o que nele conheço, não ouso querer voltar atrás, quero apenas esse novo rumo, sem pressa e sem destino definido no bilhete que seguro entre as mãos. Quero esse tempo impreciso, entre a chegada e as inúmeras partidas, até que um dia, estejamos no mesmo lado da plataforma, do cais ou numa fila de check in, num lugar qualquer, pois não importa nem onde estamos, e agora nem quem somos, mas o que um dia poderemos ser, depois das distâncias e demoras, um no olhar do outro.
"Só há um modo de escapar de um lugar: é sairmos de nós.
Só há um modo de sairmos de nós: é amarmos alguém."
Excerto Roubado aos Cadernos do Escritor. Mia Couto. A Confissão da Leoa, 2012, p. 27.
domingo, 1 de janeiro de 2017
Assinar:
Postagens (Atom)






